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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Christian Dior


Ela é um ícone da moda de alta-costura. Inventou o chamado “New Look”, que ao longo de sua história fez a própria tradução física dos sonhos e da fantasia humana através de seus vestidos. A marca DIOR é, talvez, a mais influente, chique e glamourosa do fascinante e extravagante mundo da alta-costura. Fruto da cabeça criativa e inovadora, que adora romper e quebrar tendências, do estilista Christian Dior.

A História

Considerado o new look da moda internacional até hoje, Christian Dior era uma pessoa de temperamento difícil, complicado, mas conhecia seu ofício quando desenhava seus croquis para a alta costura francesa. O estilista nasceu em Granville (cidade portuária de Mancha) em 21 de janeiro de 1905. Na época, a família Dior tinha uma boa situação financeira, o que lhe garantiu uma infância e juventude tranqüila. Mesmo com o grande interesse em artes, especialmente o desenho, estudou ciências políticas – por influência de seu pai –, com a intenção de seguir a carreira diplomática. Após terminar o curso, gastou seu tempo viajando pela Europa, até que, em 1927, abriu uma galeria de artes, em sociedade com o amigo Jacques Bonjean. Chegaram a expor alguns trabalhos de amigos como Christian Bérard. Em meados de 1934, Dior enfrentou uma grave doença. E o que é pior, não podia contar mais com o dinheiro da sua família que, desde 1931, atravessava vários problemas financeiros. Em 1935, recuperado e disposto, começou a desenhar croquis para o Figaro Illustre, jornal parisiense que os publicava semanalmente na seção de alta-costura. Depois de conseguir vender uma coleção de desenhos de modelos de chapéus, o inventivo Dior elaborou croquis de roupas e acessórios para várias maisons de Paris, até que, em 1938, ingressou de cabeça no mundo da alta costura com a função de ser assistente do estilista suíço Robert Piguet. Nesse ínterim, explodia a II Guerra Mundial na Europa e Dior foi convocado para a batalha, na qual atuou como soldado do corpo de engenheiros.

Em 1941, já trabalhando na maison do estilista francês Lucien Lelong, conheceu o francês Pierre Balmain, que depois se tornaria um grande e importante estilista francês. Nessa altura, o estilista almejava ter a sua própria maison e conseguiu concretizar o sonho com a ajuda financeira do então magnata e empresário de tecidos, Marcel Boussac, em 1946 com a fundação da The House of Dior. O lendário endereço, em Paris, o número 30 da Avenida Montaigne é o mesmo até os dias de hoje. No dia 12 de fevereiro do ano seguinte lançou sua primeira coleção chamada “Carolle Line” que contava com a revolucionária saia na altura do tornozelo, apelidada pela redatora da revista Harper's Bazaar americana, Carmel Snow, de “New Look” (novo visual). Contendo inúmeras variações e novidades para época, a coleção se tornou um sucesso imediato, principalmente pelos ombros arredondados, cinturas acentuadas, saias rodadas, vestidos suntuosos, fartos, com cintura bem fininha e ombros à mostra que a coleção possuía em seus modelos. O modelo que se tornou o símbolo do “New Look” foi o tailleur Bar, um casaquinho de seda bege acinturado, ombros naturais e ampla saia preta prissada que vinha quase até a altura dos tornozelos. Luvas, sapatos de saltos altos e chapéu completavam o figurino. Além de causar fascínio pela sua elegância e luxo, o conceito do New Look vinha carregado de extravagância e exagero: vestidos tradicionalmente feitos com 5 metros de tecido, agora usavam até 40 metros. Ele conquistou de cara o mundo da alta-costura pela ousadia e por causar impacto com suas roupas – afinal, para ele, “as peças eram feitas não somente para serem bonitas, mas também para chocar”. O estilista conseguiu mudar o conceito de praticidade e simplicidade das roupas femininas, até então uma necessidade dos tempos de guerra e uma tendência da moda criada por Chanel. Após alguns anos de reclusão, a mulher pós-guerra queria se sentir novamente feminina e estava ansiosa em recuperar a elegância e o luxo verdadeiro. Nos bailes, que à época se sucediam aos jantares, as mulheres ricas e célebres compareciam usando Dior. O estilista acertou e criou modelos extremamente femininos, luxuosos, sofisticados e elegantes, inspirados na moda da segunda metade do século 19. Os vestidos eram mais longos, o busto mais acentuado, a cintura bem marcada e as saias amplas.

Ainda em 1947 foi fundada a divisão de perfume (conhecida como Parfums Christian Dior) com o lançamento do Miss Dior, um verdadeiro clássico até os dias de hoje. Em apenas um ano, a coleção New Look teve mais de dez mil encomendas. A volta por cima da beleza feminina fez a cabeça de mulheres célebres como Eva Perón, Grace Kelly e Marlene Dietrich. Em 1949, dois anos após a inauguração, a maison Dior já era responsável por mais de 5% das exportações francesas. Nesta época, Christian Dior já tinha uma casa de prêt-à-porter de luxo em Nova York, além de estar bem estabelecido para assinar contratos de licenças com sociedades americanas. No ano de 1954, ele mudou tudo com a linha H (H de haricot vert, uma vagem comprida): chega de busto e cintura apertada. Dior inovou novamente ao imprimir estilo com vestidinhos tubulares que escondiam as formas. O vestido-saco revolucionou de forma surpreendente cabeças e corpos. Também criou neste ano modelos luxuosos, com muita seda e tule bordado, além dos vestidos de tecidos transparentes, com saias sobrepostas e comprimentos dos mais diversos.

A linha Y surgiu em 1955 e mostrava um corpo longo com a parte superior mais pesada, com golas grandes que se abriam em forma de V. A linha A trouxe vestidos e saias que se abriam a partir do busto ou da cintura para formar os dois lados de um A. Com apenas 52 anos de idade e dez anos depois de abrir a maison, Christian Dior morreu precocemente em 24 de outubro de 1957 após sofrer um ataque cardíaco. Deixou um verdadeiro império do luxo, com 28 ateliês e 1.200 empregados. Os números impressionam: em dez anos de existência, foram vendidos mais de 100 mil vestidos, um milhão e quinhentos mil metros de tecido decorados e 16 mil croquis realizados. Para assumir a direção de criação da grife, após sua morte, foi escolhido o então jovem e talentoso Yves Saint-Laurent, que provocou protestos dos discípulos de Dior por ter criado peças poucos tradicionais para a marca, como jaquetas de couro e vestidos curtos. Em 1962, Saint-Laurent resolveu abrir sua própria maison, e em seu lugar assumiu Marc Bohan, um estilista francês mais experiente. Seus modelos mais influentes foram apresentados em 1966, baseados no filme Dr. Jivago, com casacos amplos de cintura apertada, vestidos longos e botas. A partir de 1989, o italiano Gianfranco Ferré – em uma tentativa de renovação da Maison – foi escolhido como o novo nome Christian Dior. Logo na primeira coleção ganhou o Dedal de Ouro oferecido pela companhia Helena Rubinstein ao melhor estilista de cada temporada.

Desde 1997, o inglês John Galliano é o designer da grife e nomeado o criador das coleções de alta-costura e prêt-à-porter feminino. E chegou para incendiar a maison. O estilista assumiu a marca com o respaldo de nada menos que Bernard Arnault, o todo-poderoso do grupo LVMH (Môet-Henessy Louis Vuitton), primeira empresa mundial do comércio do luxo, e que também detém os direitos dos perfumes Miss Dior e Poison, ambos da marca Christian Dior. Ao colocar Galliano – um rebelde, inglês e iniciante – à frente da Maison Dior, os franceses ficaram chocados. Porém, apenas um ano depois, a grife voltou a dar dinheiro. John Galliano causou uma reviravolta na DIOR. Houve dois escândalos que fizeram com que a marca voltasse aos bons tempos: a simples contratação de John Galliano e a coleção dos mendigos, que causou frisson ao desfilar modelos vestidos como mendigos na passarela. O estilista é convencido de que o esquisito, mesmo chocante, vende. Já colocou nas passarelas trapezistas, acrobatas chineses, monges Shaolin, freiras e esfinges. Considerado um gênio rebelde, o estilista comandante da DIOR fala pouco em público, mas não precisa disso para virar notícia. Em um dos seus últimos desfiles de alta-costura, modelos exibiram vestidos em estilo império, recobertos de bordados preciosos. Enquanto isso, uma banda de hard rock tocava e destruía seus instrumentos a chutes e pauladas.

A loja sede na Avenida Montaigne 30: um ícone da alta costura

LINHA DO TEMPO

1954

● Lançamento do primeiro produto de maquiagem da grife, o lápis de boca (delineador).

1966

● Lançamento da primeira fragrância masculina chamada Eau Sauvage.

1968

● A marca uniu a moda e a beleza ao lançar uma linha de maquiagens e de tratamento (Hydra Dior).

1970

● Revolucionou o mercado ao introduzir o desfile de produtos de maquiagem, mostrando cores e tendências que marcaram época, estabelecendo a marca como uma gigante no mundo da moda.

1973

● Lançamento da linha para tratamento de pele.

1983

● Lançamento do Capture, um creme anti-envelhecimento que possuía em sua formulação lipossomas, microcápsulas que penetram na pele e previnem o envelhecimento.

1985

● Lançamento do POISON, um dos perfumes de maior sucesso da grife francesa.

1988

● Lançamento do perfume masculino FAHRENHEIT.

1992

● Lançamento do perfume feminino DUNE, que ganharia sua versão masculina cinco anos mais tarde.

1995

● Lançamento do perfume DOLCE VITTA em sua tradicional embalagem amarela.
● Lançamento da bolsa Lady Dior. O nome é uma homenagem à princesa Diana.

1996

● Re-lançamento da coleção de óculos da grife ao comando de John Galliano. Os primeiros óculos com a marca DIOR foram lançados no final da década de 60.

2000

● Lançamento do J’ADORE, um perfume refrescante com misturas de orquídeas, violetas, rosas e um tipo especial de almíscar. O perfume foi batizado com esse nome graças à expressão usada constantemente por John Galliano (traduzida do francês, significa “eu adoro”).
● Lançamento da famosa bolsa saddle bag, modelo em forma de sela com alça curta. O modelo ganha novas versões a cada ano, aumentando ainda mais a legião de fãs.

2001

● Em janeiro, o estilista francês Hedi Slimane estreou a DIOR Homme, aclamada como uma das melhores coleções de moda masculina da atualidade, com pitadas de androginia e glamour do rock’n roll.

2002

● Lançamento do perfume feminino FOREVER and EVER.

2003

● Lançamento do perfume feminino CHRIS 1947 em homenagem a fundação da grife.

2007

● Lançamento do perfume feminino Midnight Poison com o slogan “A new Cinderella is born”. O novo perfume é uma mistura perfeita de rosa da Bulgária, jasmim, flor de laranjeira, baunilha e sândalo.

6 comentários:

  1. Adriano, estou adorando este enfoque na histórias das grandes griffes, mas pôxa, neste da Dior vc colocou o meu *amado* Addict 1 ali na chamada do texto e não falou nada dele !? Queria justamente saber qdo foi lançado esse perfume... Bjs e parabéns pelo sempre prestativo trabalho em nos guiar no mundo dos perfumes.
    Bjs
    Ana Paula...Vai aparecer Célia, mas sou eu, Ana Paula,

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  2. Ana Paula, eu estou mais é escrevendo a história de cada grife. Vou fazer um parêntese mais em breve de todos os outros que tem perfumes notáveis, e assim fazer a alegria maior dos fanáticos por perfumes como nós

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  3. parabens!!!
    adorei ter esclarecido isso.
    abração ai tche!!

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  4. Nossa interessante seu blog curti..
    Prada Infusion D'Homme Masculino, ou TERRE D’ HERMÉS MASCULINO qual o melhor?
    To afim de comprar o prada qual me indica..
    Se puder me responde por email agredeço..
    paulo12russo@hotmail.com

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  5. Paulo, com certeza, para mim, o Terre D'Hermès! Abraços

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